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Evolve Thinking – Como abrir a mente e o coração para o que nos motiva .

A visão que as pessoas têm de relacionamentos, questões de gênero, consumo, saúde e dinâmica profissional é completamente diferente da que existia há duas gerações. Nesse espaço de 30 ou 40 anos, tudo mudou. Da estética vigente à etiqueta social, do conceito de sucesso e felicidade à mensuração de resultados nos mais variados campos, podemos observar alterações significativas. Os saltos evolutivos são claros, especialmente os realizados em direção à diversidade e à inclusão. A questão atual, portanto, é como garantir que o seu pensamento, sua visão de mundo e sua contribuição para a sociedade estejam alinhados com o estágio evolutivo do tempo em que vivemos. A resposta está no que chamo de Evolve Thinking.

Evolve Thinking é um modelo mental que nos leva a uma evolução constante, conectando-nos a ações que nos aproximam do nosso propósito de vida. Com esse novo mindset, desenvolvemos a habilidade de aprimorar diariamente as nossas capacidades e estimulamos a descoberta de novos talentos que podem contribuir na realização daquilo em que acreditamos. Como consequência, conseguimos alavancar nosso potencial para viver o nosso melhor, atingir nossos objetivos e, o mais importante, conquistar uma vida mais plena e feliz.

Existem dois tipos de mentes. Chamo de “mentes fixas” aquelas que acreditam na limitação de seu potencial. Elas atingem um determinado nível de competência numa atividade específica e param aí. Podem ser excelentes no que fazem, mas não sabem fazer outra coisa. Geralmente, atribuem o seu próprio fracasso às suas limitações. Elas sabem que não desenvolveram novas habilidades e, de certa forma, têm orgulho disso. Os mentes-fixas acham que já viram de tudo nesse mundo e que já sabem até mais do que precisam.

O segundo tipo de mentalidade se baseia no crescimento constante — ou growth mindset, na expressão criada por Carol Dweck, professora de psicologia na Universidade de Stanford. Esse tipo de pessoa gosta de sair da zona de conforto, de ousar na vida. Normalmente, consideram o fracasso como fonte de aprendizado. Claro que sentem a dor da derrota, mas não se deixam abater. Pessoas assim buscam sempre experimentar coisas novas e não hesitam em adaptar as novidades ao seu modelo de vida.

Segundo Dweck, as pessoas com growth mindset são aquelas em permanente busca de evolução, de ampliação dos seus horizontes e habilidades e que gostam de se sentir desafiados. Já os que têm um fixed mindset tendem a ficar ofendidos quando apresentados a desafios. Ela fez essa experiência com crianças de 10 anos, expondo-as a problemas um tanto difíceis, e percebeu que, mesmo nessa idade, elas já demonstram claramente os dois tipos de mentalidade.

As pessoas com growth mindset são aquelas da campanha Think different, da Apple, que tinha como tema era o fato de que os rebeldes, os que não se encaixam perfeitamente na sociedade, os criadores de caso são justamente os gênios que levam a humanidade à evolução. O filme mostrava Einstein, Luther King, Gandhi, Dalí, Chaplin, Lennon, Mohammed Ali e outros tantos gênios que ousaram pensar diferente e que, com seus atos, inspiraram as pessoas a adotar novas visões de mundo e, com isso, mudaram a realidade.

Neste ponto, acho importante definir genialidade. Além de talentosas, todas essas personalidades foram incansáveis na busca por excelência. Além de terem propósitos bem claros, elas arregaçaram as mangas e se aprimoraram. Buscaram entender profundamente seus campos de atuação e, com isso, empenharam sua energia em criar, em realizar e a provocar saltos evolutivos com efeitos em toda a humanidade. Usando a moderna literatura de gestão, podemos dizer que elas tinham “garra”, atuavam em “flow” e atingiram a “alta performance”.

Antes de entrarmos no campo do desempenho propriamente dito, entretanto, é preciso dar um passo atrás e observar a visão da ciência sobre a dinâmica da evolução.

Antes de Charles Darwin publicar sua teoria no livro A origem das espécies, em 1859, a ideia de que os seres vivos evoluíam já era desenvolvida por outros cientistas. Dentre eles, o de maior destaque foi Lamarck. Nascido Jean-Baptiste Antoine de Monet e detentor do título de nobreza Chevalier de Lamarck, esse cientista foi o responsável por cunhar o termo biologia — o estudo da vida. Depois de uma carreira no exército, interessou-se por história natural e desenvolveu uma teoria que tinha como base era sua observação de que os seres vivos teriam a tendência de buscar o aperfeiçoamento constante. A partir daí, desenvolveu a teoria de que as espécies mudavam ao longo do tempo porque as características que as tornavam mais eficientes em determinadas ações seriam passadas de pai para filho.

Essa teoria, apresentada no livro Philosophie zoologique, em 1809, não obteve a mesma aceitação que a de Darwin, apresentada meio século depois. Mesmo assim, suas crenças se mostram incrivelmente válidas quando observadas no contexto da gestão. Lamarck acreditava que os seres vivos têm a tendência de melhorar constantemente em busca da perfeição. Outra de suas crenças tem a ver com a lei do uso e desuso. Quanto mais uma habilidade é usada, mais ela se desenvolve, e isso é passado para as gerações seguintes. Segundo essa teoria, os indivíduos perdem as características de que não precisam e desenvolvem as que utilizam mais. Por exemplo, espécies que vivem embaixo da terra, no escuro, tenderiam a ter visão deficiente, o que seria compensado por olfato mais apurado. A necessidade de comer as folhas mais altas das árvores levou as girafas, geração após geração, a desenvolver um pescoço mais longo.

Segundo Lamarck, o ambiente em que uma espécie vive e o uso que ela faz das habilidades são fatores determinantes da sua evolução. Características como agilidade, boa noção espacial e iniciativa são valorizadas em cães pastores, e por isso os melhores indivíduos são priorizados para reprodução. Já características como vigor físico, disciplina e agressividade são mais valorizados em cães de guarda, mas um cão de guarda levado para o campo precisará adquirir novas habilidades, melhorar sua noção de espaço e desenvolver iniciativa.

Em resumo, qualquer criatura precisa adquirir novas capacidades para melhor se adaptar ao ambiente que a cerca. Agora, vamos conectar essa teoria ao mundo moderno.

Depois de anos ensinando matemática numa escola pública, Angela Lee Duckworth foi estudar psicologia na universidade, onde desenvolveu uma tese para prever que tipo de pessoa obteria sucesso na atividade que escolhesse. Por experiência, ela já havia notado que motivação era o centro de tudo, mas quis investigar profundamente. Pesquisou tanto cadetes da lendária academia militar de West Point quanto simples vendedores, passando pelas mais variadas atividades, até descobrir que o fator mais importante não era o Q.I. (quociente de inteligência), nem a inteligência emocional, muito menos a boa aparência ou a saúde. O que mudava qualquer cenário era a garra (em inglês, grit), que é o desejo passional e persistente de alcançar um resultado de longo prazo. É ter energia e perseverança. Para que isso aconteça, é preciso combinar paixão e preparo, tendo em mente que é preciso melhorar a cada dia. Isso acontece com músicos, médicos, jornalistas, atores, engenheiros — enfim, não importa a profissão, o que importa é ter mentalidade de crescimento (growth mindset).

Quando temos grit, quase que inevitavelmente atingimos o flow — o estado mental em que uma pessoa se encontra em total envolvimento com uma atividade e, por isso, sente-se energizada e feliz. Nesse estado de completa absorção pela atividade, ela perde a noção do tempo e atinge o seu melhor, pois está focada no seu propósito e totalmente concentrada no momento presente. Na vida profissional, estar no flow ou in the zone significa ter motivação de aprender todos os dias, de fazer novas conexões e de criar. Portanto, estar aberto a aprender (growth mindset) é fundamental para ter garra (grit) e atingir o seu auge (flow).

Um estudo realizado pela consultoria McKinsey, que acompanhou altos executivos por dez anos, mostrou que eles eram cinco vezes mais produtivos em estado de flow. Ou seja, o que eles conseguiam produzir num dia equivale ao que seus colegas levariam uma semana para fazer. Esse mesmo estudo concluiu que, se as pessoas pudessem aumentar em 20% o seu estado de flow, a produtividade geral quase dobraria.

Empresas de alta performance, como Google, 3M e Patagonia, permitem que seus funcionários dediquem de 15% a 20% do seu tempo a projetos pessoais, projetos de estimação criados por prazer e convicção. Muitas das inovações dessas empresas tiveram como origem alguns pet projects dos colaboradores, tudo porque lhes foi dada a liberdade de criar. Isso gerou motivação para fazer o que amam. Dar autonomia é um grande estímulo para fazer alguém entrar no processo de flow.

Muitos CEOs passam grande parte do seu tempo estudando, aprimorando conhecimentos, expandindo a consciência e observando quais elementos podem ser adaptados ao seu meio ambiente. Exemplos não faltam. Warren Buffett passa mais de seis horas por dia lendo; Bill Gates lê 50 livros por ano; e Mark Zuckerberg lê um livro a cada duas semanas. Todos investem na evolução das suas mentes.

Evolve Thinking é, portanto, um modelo mental que nos leva à evolução constante, conectando-nos a ações que nos aproximam do nosso propósito de vida. Como consequência, vivemos nosso melhor, atingimos os nossos objetivos e inevitavelmente nos sentimos mais plenos, realizados e felizes.

Para praticarmos o Evolve Thinking é preciso ter: growth mindset, para gostarmos do desafio de aprender coisas novas, e garra (grit), para sermos mais perseverantes e apaixonados a longo prazo. Dessa forma, entramos no estado de flow, em que nos sentimos mais focados, criativos e efetivos para atingir nosso melhor desempenho. O prazer de estar no flow nos leva à sensação de satisfação, fundamental para nos sentirmos mais felizes.

Sou apaixonado por esportes e observo a materialização de grit e flow quando comparo Cristiano Ronaldo a Lionel Messi. Cristiano Ronaldo sempre busca sair da zona de conforto. Veja por quantos times ele já passou: Sporting (Portugal), Manchester United (Inglaterra), Real Madrid (Espanha) e, agora, Juventus (Itália). Ele quer sempre novos desafios, aprende a jogar em ligas diferentes e desenvolve novas técnicas no seu futebol para melhor adaptá-lo a cada realidade. Ele é aquela pessoa que treina para a perfeição — e tem a consciência de que a perfeição muda conforme as demandas de cada ambiente. Joga com garra, somando a habilidade com a vontade para atingir os seus objetivos.

Já a dinâmica de Messi é outra. Ao longo da carreira jogou em apenas dois clubes. Já atingiu o que queria e está na zona de conforto. É um gênio incontestável do futebol. Mas poderia ser muito mais. Talvez nem ele mesmo saiba da extensão do próprio potencial.

Sem garra e sem o estado de flow, os recordes mundiais nunca teriam acontecido. O primeiro recorde dos 100 m de corrida foi em 1968, com o tempo de 9,95 segundos. Esse recorde só seria batido em 2009, por Bolt, com o tempo de 9,58 segundos. Na maratona, o primeiro recorde foi em 1908, com o tempo de 2h55min. Em 2020 esse recorde foi batido com o tempo de 2h01min.

O que leva à evolução? Provavelmente o desejo pelo desafio e também a busca pelo aperfeiçoamento — grit e flow, portanto. Bruce Lee uma vez deu a receita: “Pesquise sua própria experiência, absorva o que é útil, descarte o que não tem utilidade e acrescente o que é essencialmente seu”.

Essa consciência nos leva de volta à teoria do uso e desuso de Lamarck. Acredito que ele estava certo, mas sob outra perspectiva. Na vida, precisamos avaliar constantemente o que está e o que não está funcionando, pois somente assim descobrimos a nossa paixão e o nosso objetivo de vida. Outra parte da teoria de Lamarck se relaciona à transmissão dos caracteres adquiridos. Na interpretação do Evolve Thinking isso está ligado ao conhecimento. Abuse do conhecimento. Ter um growth mindset de buscar o conhecimento constante e se aperfeiçoar constantemente é a chave. Vale notar que as teorias de Lamarck iam contra o fixismo, corrente de pensamento que defendia a imutabilidade das espécies e desprezava a influência de fatores externos.

O Evolve Thinking é a soma do growth mindset à consciência do uso e desuso, à garra para persistir num objetivo por longo tempo e à capacidade de encontrar foco total (flow) em suas atividades.

Para atingir o Evolve Thinking, tente separar 10% do seu dia para estudar o que você ama. Não julgue, só estude. Pode ser gastronomia, escalada, astronomia, astrologia ou tudo isso. Recomendo fazer uma lista de itens sobre os quais tem curiosidade ou gostaria de aprender mais. Vai perceber muitas ideias surgindo, o que ajudará no processo de identificar o seu propósito de vida e, também, nos demais exercícios que ainda vamos fazer juntos.

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