LADING

Bem vindos ao jogo da vida

O que significa ser livre para você? Você se considera um ser liberto? Mas não estou falando se você pode ir aqui e ali, fazer o que bem entender, pagar suas contas, falar suas verdades… Ser verdadeiramente livre é se curvar às incertezas da vida e saber jogar com elas. Saber jogar o jogo da vida, entender a Lila, esse conceito do hinduísmo que descreve como o cosmos é um jogo criativo e nós os personagens, as peças.
Mas como jogar esse jogo sem ser eliminado logo na primeira rodada?
Tornando-se um espectador. Aquele que vê a peça sob um ângulo diferente: de cima, podemos observar o tabuleiro todo, as outras peças, quais são os próximos movimentos menos arriscados e assim por diante.
Quem controla o jogo da sua vida?
Jogar o jogo da vida, aceitando o rolar dos dados e a próxima casa que nos é oferecida, é se abrir às possibilidades que podem se abrir a nós. É encontrar um campo fértil, cheio de sementes germinadas prontas para crescerem em seu potencial máximo. Entretanto, se formos ver todos os dias como essas sementes estão, retirando-as do solo, o resultado será apenas um: elas irão morrer.
No mundo contemporâneo, onde a rapidez e o imediatismo se fazem constante, queremos sempre saber como é o tabuleiro, qual será o próximo número que sairá no dado, qual é a próxima casa. Contudo, segundo a filosofia do Yoga, quando diminuímos a nossa existência às nossas sensações e aos acontecimentos da vida, reduzimos por completo as possibilidades que a vida possui. Nos identificamos à uma situação e à uma emoção e passamos a acreditar que isso é a regra.
E será que é?
Observe as sementes crescerem
Se quisermos controlar o jogo e as sementes, vamos limitar a nossa vida a apenas experiências passadas. Dessa forma, ao tentarmos controlar a vida, vamos repetir a todo momento as mesmas situações.
Como você quer resultados diferentes fazendo sempre as mesmas coisas?
Segundo o autor best-seller do The New York Times, Michael Singer, quando nos rendemos à vida e à constante inconstância aos arquétipos que nos empoderam e que nos fazem a ter. Singer é um exemplo de como nos tornar observadores da vida e meros personagens pode nos abrir infinitas possibilidades. Ele fez um experimento de rendição consigo mesmo para permitir que a vida se desenrolasse a sua volta sem que ele lutasse com ela – ou quisesse jogar o jogo. Afinal, todos somos inteligentes suficientemente para perceber que não podemos controlar 100% das coisas que acontecem a nossa volta.
Quem bate seu coração? Como a comida está sendo digerida? Como sua célula está se dividindo? Você não está fazendo uma intervenção nessas funções, mas elas estão acontecendo. Da mesma forma, os planetas ficam em órbita e todo o resto do Universo se desenrola por conta própria. Tudo acontece na mais perfeita harmonia há bilhões de anos sem nenhuma interferência.
O macrocosmo em você
Agora vem a pergunta de Singer: se as forças de criação podem criar e manter todo o universo, a todo momento, há bilhões de anos, a nossa vida e as nossas experiências também não fazem parte dessa mesma perfeição universal?
Essa ideia de Singer não é nova. O Karma Yoga – que não significa “aqui se faz, aqui se paga” – fala exatamente sobre isso. No Bhagavadita, um dos textos sagrados do Yoga, temos a definição de Karma:
“Sua escolha é somente quanto à ação, jamais quanto ao resultado. Não queira ser a causa do resultado da ação, tampouco esteja sujeito à inação.”
Ou seja: temos controle apenas daquilo que fazemos: como fazemos e qual a nossa intenção com a ação. O resultado, entretanto, está completamente fora do nosso controle – e quanto mais tentamos controlar essa reação, mais fora de controle ela ficará. Afinal, tentaremos mudar uma Ordem Cósmica – que está presente até mesmo no caos.
A ordem perfeita está naturalmente em nós
O nosso papel perante o jogo da vida é ser espectador. É lançar as flechas da vida com calma e intenção e deixar ela seguir o seu curso naturalmente. Cada ação, cada palavra, é uma flecha. Ao invés de tentar controlar para onde a flecha já lançada está indo – ou até mesmo se lastimando pelas flechas já lançadas – que tal respirar fundo e intuir qual é a melhor direção?
Quando esquecemos dessas amarras e nos rendemos à Ordem Universal – que regula do sistema solar às nossas células – as peças do quebra cabeça se encaixam. Um Tetris perfeito é formado e você pode até pensar: “ventos conspiram ao meu favor!”. Mas, na verdade, você segue o vento e aceita a direção para qual ele te leva.

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