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Você não é aquilo que pensa que é

Você não é aquilo que pensa que é…

“É preciso ter caos em si mesmo para dar à luz uma estrela dançante. ” – Friedrich Nietzsche

Uma coisa é certa: todos nós carregamos uma imagem de nós mesmos em nossas mentes de quem somos, como somos e quais qualidades temos. Formamos esse senso de identidade por meio de experiências e de como lidamos internamento a elas. Estamos ligados ao mundo ao nosso redor: mas o que importa é como nos colocamos nele.

Ao longo de nossas vidas, as pessoas nos deram informações diretas e indiretas sobre quem somos, por meio do que veem em nós e de como respondem a nós. Em seguida, internalizamos essas reflexões de outros e pegamos o que “se encaixa” em como gostaríamos de nos ver e rejeitamos o que “não se encaixa”. Por meio desse processo de filtragem de informações, nós (esperançosamente) formamos um senso coerente de identidade no mundo.

É aquela velha pergunta: quem sou eu?

No entanto, existe mais de nós do que apenas o que gostaríamos de ver e o que é confortável. É claro: nós dizemos o que quisemos a nós mesmos. Mas e todos os nossos aspectos que negamos? Invejosos, mesquinhos, ciumentos… Carl Jung, psiquiatra suíço, chamou isso de sombra. Jung escreveu: “Infelizmente, não pode haver dúvida de que o homem, em geral, é menos bom do que se imagina ou quer ser. Todo mundo carrega uma sombra, e quanto menos ela estiver incorporada na vida consciente do indivíduo, mais negra e densa ela será .

Ou seja: para ser menos invejoso, mesquinho, ciumento… É preciso aceitar essa parte “sombria” dentro de nós.

Uma ideia importante aqui é que quanto menos consciência tivermos do eu da sombra, “mais escuro e mais denso ele será”. É como um animal que habita dentro de nós e que, se não o alimentarmos e cuidarmos dele, ele ficará feroz. Destruirá tudo o que você construir. Assim, é preciso lançar luz, atenção a essa parte nossa.

Jung escreveu: “Enfrentar uma pessoa com sua sombra é mostrar-lhe sua própria luz. Depois de experimentar algumas vezes como é estar julgando entre os opostos, começa a entender o que significa o eu. Quem percebe sua sombra e sua luz simultaneamente se vê de dois lados e fica no meio “.

Compreendendo-se na dualidade

O princípio da enantiodromia, um termo criado por Heráclito para o conceito de que uma força para um sentido cria a mesma força para o sentido oposto, foi introduzido no Ocidente por Carl Jung. É “o surgimento do oposto inconsciente no decorrer do tempo”. Também conhecido como algo “correndo seu curso” e se transformando em seu oposto, especialmente quando polarizado.

Por exemplo, se você foi criado com rígidas diretrizes morais de não beber, não ficar fora até tarde e não sair para festas, há uma boa chance de que mais tarde na vida o lado sombrio desses traços ditos “bons” surja na forma de desejo intenso em festejar, beber e ficar fora até tarde. A maioria de nós já viu ou experimentou essa ocorrência em nós mesmos ou em nossos colegas.

Heráclito explica: “Coisas frias esquentam, coisas quentes esfriam, coisas úmidas secam e coisas ressecadas ficam molhadas”. Este conceito também é conhecido na religião chinesa como Yin-Yang.

Lembre-se só há sombra em um lugar que se tem luz. Então é melhor encontrar a sua, não é? Mais chances de você encontrar sua luz: aquilo que faz você ser único(a).

O Processo de Cura do Trabalho da Sombra

Mas, ok, identifiquei a sombra. E agora?

Pense no seguinte processo: Identificar -> Aceitar -> Amor -> Incorporar -> Integrar

Isso é um processo que dura a vida toda. Esse processo se repete por toda a sua vida.

IDENTIFICAR: O primeiro passo é identificar suas sombras, pois muitas delas são elementos inconscientes de sua personalidade. Você perceberá então por seus gatilhos, por seu desdém, por sua rejeição a eles.

ACEITAR: O próximo passo é aceitar suas próprias sombras. Para possuí-los. Para reconhecer seu propósito e valor.

AMOR: Você então traz amor e compaixão às suas sombras. Você as traz à luz e as recebe de volta em você, de forma branda.

INCORPORAR: Como agora você possui e ama suas sombras, você pode conscientemente incorporá-las e utilizá-las para seu crescimento e desenvolvimento pessoal.

INTEGRAR: Comece a ver o valor de suas sombras em cada área de sua vida para ajudar a expandir suas virtudes e evoluir.

Um trabalho. Um processo. Uma viagem para dentro.

Pratique entrar lentamente em contato com as sombras que você está lutando tanto para repelir e expulsar da sua vida. É verdade que muitas vezes não gostamos de nos cercar de pessoas que nos lembram daquelas facetas que afirmamos abominar. Mas elas são as maiores professoras. Tente ver essas experiências como oportunidades de crescimento, autoconhecimento e autoconsciência. Abra-se para encontrar sua sombra de frente. Bem-vindo à mesa proverbial. Depois de aceitar sua presença, o que resta é a luz. É você em seu pleno potencial.

Prontos para a viagem?

 

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