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O que é, de verdade, resiliência?

 

O termo “resiliência” está em toda parte. E em cada lugar, ao que parece, significa algo um pouco diferente.

A resiliência tem sido usada para descrever pessoas e sistemas que se recuperam de experiências e perturbações negativas. Também tem sido usado para se referir a sistemas que sobrevivem sendo empurrados – voltem ou não para onde estavam antes, ou para qualquer estado estável, nesse caso.

Trocando em miúdos

Fundamentalmente, resiliência se refere à adaptação positiva, ou a capacidade de manter ou recuperar a saúde mental, mesmo que estejamos experimentando uma situação de adversidade. As definições evoluíram a partir do aumento do estudo científico. Resiliência, ultimamente, é estudada por pesquisadores de diversas disciplinas, incluindo psicologia, psiquiatria, sociologia e, mais recentemente, disciplinas biológicas, incluindo genética, epigenética, endocrinologia e neurociência. Sim, até na biologia há resiliência. Sim, essa é a nossa natureza.

No entanto, não existe nenhum consenso sobre qual seria uma única definição “correta”. A questão central é como as pessoas resistem à adversidade sem desenvolver resultados negativos para a saúde física ou mental.

Embora alguns tenham argumentado que resiliência é um conceito vazio, que apenas está na moda, tais estudos sugerem que ela é um conceito necessário.

A ideia de resiliência surgiu na ecologia e na psicologia, ou nas ciências sociais, por volta da mesma época (década de 1970) e de forma totalmente independente. O traço comum é que envolve interações dentro e entre sistemas complexos. Veja, não é uma terminologia apenas de autoajuda.

Podemos definir resiliência como a capacidade de um sistema dinâmico de se adaptar com sucesso a distúrbios que ameaçam a função do sistema, a viabilidade ou o desenvolvimento futuro do sistema.

O novo vem o tempo todo, inevitavelmente

A resiliência está relacionada à mudança. E dada a rápida mudança que está acontecendo no meio ambiente, na tecnologia e na sociedade, o uso extensivo do termo reflete essa necessidade. Essa é a razão de termos que ser, cada vez mais, resilientes. Tudo muda o tempo todo. Aprendemos algo novo e amanhã isso já está defasado. Parece que tudo está mudando na velocidade de um piscar de olhos. Se não formos resilientes com nós mesmos, podemos cair em duas falácias: ou se que devemos estar sempre correndo e à frente dessas mudanças, ou de que somos um fracasso e é melhor não mudar. Ora, porque não irmos para o meio termo?

Resiliência é se adaptar. E isso não significa que vamos agradar o outro ou para satisfazer aquilo que esperam de nós. Aqui o ponto é nos tornarmos saudáveis mentalmente.

O assunto é pop. Mas cuidado com as falsas certezas.

Um artigo recente da cientista social Susanne Moser usou uma meta-análise de artigos que viram que uma simples pesquisa no Google da palavra “resiliência” rendeu, à época, 67 milhões de resultados. Uma pesquisa mais restrita apenas da literatura acadêmica de 1973 (quando Holling publicou seu artigo seminal sobre resiliência em sistemas ecológicos) a 2017 produziu quase 100.000 resultados. Isso, para a época, era muita coisa, mas pouco, ao relacionarmos com os hits no Google.

O que quero dizer aqui é que há muitas vozes falando do assunto. Por isso, vou listar aqui alguns fatores, os mais cruciais, para que compreendamos como sermos resilientes em três principais esferas da vida.

Nutra seus relacionamentos

Existem muitas maneiras diferentes de aumentarmos a nossa capacidade de resiliência. Ter relacionamentos de apoio em sua vida com sua família e amigos é uma das bases mais importantes, de acordo com muitas pesquisas sobre o assunto. Relacionamentos bons e positivos ajudam uma pessoa a ter segurança e encorajamento a passar por tempos difíceis. Auxiliam na capacidade de uma pessoa se recuperar mais rapidamente após um evento ou problema difícil em sua vida.

Os relacionamentos não são importantes apenas dentro da família, mas também fora dela. Ter uma forte rede de amigos – não estou falando de “amigos do Facebook/Instagram” – é um componente valioso para construir uma melhor resiliência. Redes sociais fortes são um alicerce fundamental para nosso crescimento.

Faça terapia – conheça-te

Ter uma visão positiva de si mesmo (autoimagem) e confiança em seus pontos fortes e habilidades (autoconhecimento). Aqui estou falando para você se conhecer não apenas quando o barco está afundando, como se tivesse tomando uma aspirina. Saber de onde vêm suas angústias, excitações, desejos e decepções faz com que, quando necessário, você saiba quais ferramentas possui em mãos. Como isso? Estando em constante estágio de autodescobrimento (sim, é um caminho que não tem ponto de chegada).

Tenha os pés no chão

Ser capaz de fazer planos realistas regularmente e, então, ser capaz de executá-los regularmente. Sonhar é bom – e importante – mas traçar planos concretos e identificar o que realmente você consegue fazer no momento poupa você de frustrações e lhe transforma em uma pessoa facilmente adaptável. Você não espera salvar o mundo – imagina o esforço para isso, que geraria pouco ou nenhum resultado. Ao contrário, que tal ver o que você REALMENTE pode fazer hoje?

Resiliência é assunto pra manga

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, publicou um estudo sobre o assunto e vou deixar as palavras finais com eles:

“As capacidades subjacentes à resiliência podem ser fortalecidas em qualquer idade. O cérebro e outros sistemas biológicos são mais adaptáveis no início da vida. No entanto, embora seu desenvolvimento seja a base para uma ampla gama de comportamentos resilientes, nunca é tarde demais para construir resiliência. Atividades adequadas à idade e promotoras da saúde podem aumentar significativamente as chances de um indivíduo se recuperar de experiências que induzem ao estresse. Por exemplo, exercícios físicos regulares, práticas de redução do estresse e programas que ativamente desenvolvem funções executivas e habilidades de autorregulação podem melhorar as habilidades de crianças e adultos para enfrentar, se adaptar e até mesmo prevenir adversidades em suas vidas. Os adultos que fortalecem essas habilidades em si mesmos podem modelar melhor os comportamentos saudáveis para seus filhos, melhorando assim a resiliência da próxima geração.”

 

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