LADING

Já recebeu seu feedback hoje?

O seu celular sempre te avisa quantos km você caminhou. O Waze te mostra quanto tempo você levou para chegar a tal lugar. Os apps mostram como está a qualidade do seu sono. No trabalho, temos planilhas e mais planilhas de feedbacks sobre cada respiro que damos. Wearable Gadgets servem, sobretudo, para nos dar feedbacks até mesmo de quantos passos damos, quantas calorias gastamos e quanto tempo estamos sentados. Eu não listei nem metade dos itens que vieram à minha cabeça que nos oferecem, dia a dia, minuto a minuto, feedbacks. De onde vem essa necessidade de recebermos feedbacks a todo momento? E como isso pode estar nos afetando psicologicamente?

Give me a feedback!

Vamos pensar sobre a concepção do que é receber um feedback. Esperamos com ele, sempre, que alguém fale o quanto fomos bons, o quanto superamos as expectativas e quanto, aos olhos desse alguém (ou até mesmo do “celular”) fossemos exemplares. Fechar o negócio, ganhar o respeito de alguém que você admira ou receber o treinamento perfeito que eleva seu nível de habilidade a um nível pode ser extremamente gratificante. Consegui! Estou sendo respeitado! A maioria de nós aceita um feedback positivo, mesmo que muitas vezes um elogio feito despretensiosamente nos deixa envergonhados ou até mesmo desconfortáveis.

E tudo ganha uma outra proporção no ambiente profissional – que passamos muitas horas da nossa semana. E estou falando do ambiente online ou físico, ok? Esse assunto até já foi tema de inúmeras matérias em revistas como a Forbes e a Harvard Bussines Review. E a conclusão é a mesma: a cultura do feedback excessivo está nos deixando doentes, ansiosos e depressivos.

É fácil de notar. Quando alguém te pergunta “Posso te dar um feedback?”, como você reage? Normalmente a pressão sobe, o stress e os seus níveis de cortisol aumentam e inundam o seu sistema, tudo pela ansiedade do que pode ser que “estão pensando de mim”. Isso é normal. O próximo passo é criar cenários. Que vou perder o emprego. Que eu não fui bem.  É um sinal claro de que seu cérebro entrou no modo de sobrevivência. Ele desliga todas as outras funções para se concentrar nisso: afinal, você está em perigo! Sim, estou dizendo que o cérebro percebe a obtenção de feedback no trabalho da mesma forma que percebiam ser perseguidos por um leão no campo quando éramos caçadores.

Então extinguimos o feedback?

Essa não é a questão. O que está em cheque aqui é o quanto precisamos do feedback. Será que precisamos saber quantos passos demos em um dia dentro de casa? O que isso vai mudar? O que essas pílulas insignificantes de dopaminas estão fazendo conosco? Ou até mesmo pílulas-bomba de cortisol? Um exemplo claro disso são as curtidas nas redes sociais – um feedback muito conhecido nos dias de hoje. Quanto mais likes, melhor o feedback. E enquanto o número de curtidas não sobe, o cérebro entra no mesmo modo de sobrevivência que falei acima. Será que estamos no caminho certo?

No ambiente de trabalho é preciso tomar cuidado para que esse processo não se torne predatório.

Mostrarmos ao outro como ele desempenha é, sim, importante para o nosso trabalho. Mas, assim como tudo na vida, o importante é encontrarmos o ponto do meio. O equilíbrio. Aquela forma que o feedback seja realmente importante e agregador. Afinal, quantas coisas dispensáveis passam por nós todos os dias, não é mesmo?

Quando dar o feedback?

Não há uma fórmula mágica. Precisamos entender que pessoas são únicas. A tentativa de padronizar um certo estilo de fala e comunicação pode ser bom para 80%… Porém, como fica os outros 20% que estão se achando perseguidos? Para isso não acontecer, o ideal é o caminho do meio.

Então, vamos listar algumas situações:

Quando você oferece feedback todos os dias – Nossa. É exatamente ao contrário do que falamos até agora. A menos que o trabalho seja revisado minuciosamente todos os dias, dar feedback nessa constância só vai confundir a pessoa e diminuir o ritmo de trabalho tremendamente.

Quando você oferece o feedback raramente – nem tanto o céu, nem tanto a terra. Comparado com dar todos os dias, na outra abordagem você pelo menos mostra que se preocupa (no entanto, ainda é prejudicial). Não dar nunca é uma marca de falta de interesse pelo trabalho do outro e pode ser desmoralizante. Precisamos saber nos guiar – e é para isso que servem os feedbacks bem executados.

Quando você oferece feedback como e quando necessário – isso é o que considero como uma melhor abordagem. Dar feedback como e quando necessário significa que, na maioria das vezes, o feedback que você dá é valioso e oportuno. É agregador. Não deixa a pessoa no suspense. Se o caso é de um feedback negativo, mostre algumas ideias – e não imposições –  de como poderia melhorar e também lembre dos aspectos positivos do trabalho. O caminhar junto é o resultado. Isso é um time.

Crescer juntos

Já estamos saturados de aplicativos e pessoas querendo dizer como performamos. Talvez, até mesmo antes de dar feedback a alguém ou a receber um, quem sabe nós mesmos não tenhamos que sentar e nos avaliar? Analisar verdadeiramente as nossas ações, as nossas emoções e o que estamos entregando ao mundo e a nós mesmos? Esse, sim, é o feedback mais valioso que há – e que ninguém irá te oferecer (nem mesmo o melhor aplicativo do mundo).

 

Deixe um comentário

Bitnami